quarta-feira, 4 de junho de 2014

TGD/TEA


Articulação entre SRM e sala de aula comum  
Atividades propostas para subsidiar a inclusão de alunos com TEA


De acordo com (Bez, 2014) o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é manifestado nas áreas da comunicação/interação social e comportamental que afeta o desenvolvimento da linguagem, do cognitivo, do motor e das relações sociais.

 A inclusão de alunos com autismo perpassa por um processo de mudança de paradigmas, em que se faz necessário uma ressignificação de nossas práticas pedagógicas, centrada no indivíduo, na sua capacidade de  aprender, ensinar, evoluir. A literatura tem nos mostrado um olhar ampliado sobre as pessoas que tem esse diagnóstico, oportunizando a todos nós conhecermos o ser humano sob diferentes ópticas e ao mesmo tempo de maneira singular.





 “Ao contrário do que se pensa e se faz, as práticas escolares inclusivas não implicam um ensino adaptado para alguns alunos, mas sim um ensino diferente para todos, em que os alunos tenham condições de aprender, segundo suas próprias capacidades, sem discriminação e adaptações” (ROPOLI, 2010 p. 15).

Consideramos a linguagem e a comunicação como o ponto de partida para a evolução humana. Ela  é desenvolvida no decorrer dos anos, não por uma questão de maturidade, mas de trocas, partilhas, interação com outros sujeitos num processo sócio-histórico (BEZ, 2014).

Para tanto, destacamos a importância de um trabalho articulado entre os professores do AEE e da sala de aula comum, uma vez que o desenvolvimento de estratégias para ampliação das habilidades e competências do aluno deve ocorrer nos dois ambientes.

Partindo desse pressuposto, podemos compreender o quanto é importante o desenvolvimento de estratégias  e recursos que estimulem esses domínios típicos do autismo.

Trazemos como opção os  brinquedos cantados, pois eles oferecem aos alunos  inúmeras possibilidades de aprendizado, independentemente se possui ou não algum tipo de deficiência ou transtorno.  Entre elas, podemos citar a linguagem/comunicação  e a interação com os colegas, num momento lúdico em que a aprendizagem acontece de forma interativa e descontraída. Aflora seus sentimentos, sensações e criatividade, onde corpo e mente interagem.

Os brinquedos cantados propiciam interação entre as pessoas, independente de sua idade, condição física, psíquica, social, intelectual. A participação será mediada e poderá ocorrer de acordo com as habilidades/potencialidades de cada um. Como a pessoa com autismo geralmente possui dificuldade de interação e resistência ao toque, sugerimos inicialmente trabalhar com músicas  que não necessite contato direto com o outro. Investir primeiramente no autoconhecimento.


Alunos da turma do 1º Ano, D, da Escola EB1 do Carvalhal



Essa atividade pode ser feita em sala de aula com todos os alunos. Ao som e ritmo da música, os alunos vão realizando os movimentos propostos. Já na Sala de Recursos Multifuncionais, a professora do AEE poderá aprofundar o conteúdo trabalhado de forma individualizada, tanto reproduzindo os movimentos e cantando com o aluno, como também utilizar atividades que ampliem o conhecimento do aluno sobre as partes do corpo humano.





Na figura 1 a professora de AEE poderá trabalhar o conhecimento das partes do corpo humano, coordenação motora fina e ampliação do vocabulário. Já a figura 2 possibilita iniciar o processo de alfabetização, trabalhando a letra inicial, identificação de vogais, leitura de palavras, associação de ideias, entre outros. A figura 3 é  um recurso utilizado com pessoas que têm dificuldade para se comunicar, conhecido por PECS (Picture Exchange Communication System) ou Sistema de Comunicação por Troca de Imagens. Possibilitando assim, ampliar a comunicação. 

Os jogos no computador também oferecem  uma forma diferente e divertida de aprender que vem conquistando as crianças.




Sugerimos que essa atividade seja feita primeiramente na sala de recursos para que o aluno possa se familiarizar com o computador. Mas, com certeza será interessante envolver todos os alunos da sala de aula comum, utilizando o espaço da sala de informática. 

A Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) é uma grande aliada nesse processo de comunicação, linguagem e interação. Além disso, "o uso da CAA pode ser utilizada como apoio no processo de letramento de PNEs criando condições para a aquisição e apropriação da leitura e da escrita da criança" (BEZ & PASSERINO, 2009 p. 02). 

Logo, percebemos que "as necessidades decorrentes do TGD no cotidiano escolar demandam estratégias absolutamente articuladas com a experiência diária para que promovam aprendizado e possam ser generalizadas pelo aluno para outros ambientes sociais e de intervenção". (BELISIÁRIO, 2010 p. 38).

Deste modo, acreditamos que a utilização de recursos promove e facilita o desenvolvimento da leitura e da escrita, assim como, contribui para o aprimoramento de estratégias interligadas a sala de aula comum, SRM e a própria vivência do aluno, para que ele possa utilizar esse conhecimento em todos os ambientes frequentados favorecendo o exercício de sua cidadania.





Referências:



BEZ, M. R. ; PASSERINO, L. M. Applying Alternative and Augmentative Communication to an inclusive group. In: WCCE 2009 - Education and Technology for a Better World Monday, 2009, Bento Gonçalves-RS. WCCE 2009 Proceedings - Education and Technology for a Better World Monday. Germany: IFIP WCCE, 2009. v. 1. p. 164-174. Traduzido. Aplicando a Comunicação Aumentativa e Alternativa numa turma inclusiva.



_______. Viajando pelos caminhos da comunicação: Tecnologia móvel SCALA com crianças com autismo incluídas na educação infantil. In: Liliana Maria Passerino; Maria Rosangela Bez; Ana Cristina Cypriano Pereira; Adriana Peres. (Org.). Comunicar para Incluir. 1ed.Porto Alegre: CRBF, 2013, v. 1, PP. 173-193.

Bez. Maria Rosangela. Linguagem e Comunicação. In: Curso de Atendimento Educacional Especializado. Disciplina: AEE E TGD. 2014.

PAIVA, IONE M. R. Os Jogos com Canto. In: FERREIRA, ELIANA. L. (Ed) Atividades Físicas Inclusivas para Pessoas com Deficiência, Mogi das Cruzes, Confederação Brasileira de Dança em Cadeira de Rodas, v.2, 2011

ROPOLI. Edilene Aparecida e outros. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: a escola comum inclusiva. Brasília: MEC/SEESP {Fortaleza}: UFC, 2010.

Imagens:
Figura 1 http://professoraivaniferreira.blogspot.com (acessado em 01/06/2014)
Figura 3 http://comunicacaoaa.wordpress.com/pecs-sistema-de-comunicacao-por-troca-de-imagens/ (acessado em 01/06/2014)
Figura 4 http://www.escolagames.com.br/jogos/corpohumano/ acessado em 03/06/2014) 

2 comentários:

  1. Olá Andréa!

    É de grande importância essa articulação entre o professor de sala comum e o professor de AEE. PARABÉNS, pela pesquisa, esses recursos e as atividades a serem desenvolvidas através deles são bastante valiosos.[]s

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  2. Ótimas ideias apresentadas Andréa! São de fácil acesso e utilização, proporcionando a aprendizagem e interação entre todos os alunos. Trabalhar com música é sempre uma atividade prazerosa: relaxa, diverte, aproxima, interage. Parabéns!

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