UM
OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO ESCOLAR DAS PESSOAS COM SURDEZ: BREVE HISTÓRICO E
REFLEXÕES
A história da educação das
pessoas com surdez (PS) é marcada por muito sofrimento, dor, rejeição,
exclusão, mas também de conquistas.
Antigamente as pessoas com
surdez eram vistas como pessoas doentes, incapazes, reduzidas apenas às suas
limitações. Damázio (2005) em seus estudos aponta que desde a Idade Média não eram
observadas as potencialidades da pessoa com surdez. Ela não era vista como um
ser humano integral, dotado de potencialidades.
As formas de comunicação e
os métodos de aprendizagem eram bastante polêmicos. A princípio adotou-se a oralização das PS, ou seja,
consideravam a voz como único meio de comunicação. Embora
proibidos e influenciados a prática do oralismo, as pessoas com surdez também
buscavam outras formas de comunicação através de gestos ou sinais. Na
comunicação total admitia-se a utilização de gestos, sinais, mímicas, enfim
qualquer meio para se comunicar. O embate entre oralistas e gestualistas
perdurou por dois séculos e pouco contribuiu à educação e inclusão das pessoas
com surdez. O sucesso ou fracasso escolar não deve ser atribuído apenas à
aquisição da língua. É preciso ampliar o nosso olhar, pois
“enquanto as
discussões ficam centradas na aceitação de uma ou de outra língua, as pessoas
com surdez não têm o seu potencial individual e coletivo desenvolvido, ficam
secundarizadas e descontextualizadas das relações sociais das quais fazem
parte, sendo relegadas a uma condição excludente ou a uma minoria”. (DAMÁZIO,
2010. p.47).
Atualmente no Brasil
trabalha-se por uma escola comum inclusiva, defendendo a abordagem bilíngue,
uma vez que admite a existência das duas línguas: a língua de sinais – como
primeira língua - e a Língua Portuguesa, preferencialmente na modalidade
escrita como segunda língua. Portanto, como afirma Damázio (2005), não há
privilégios desta ou daquela língua, mas respeito e reconhecimento que as PS
vivem em ambientes bilingues. Dentro dessa perspectiva, a PS é vista como
diferente e não como deficiente.
Na perspectiva da educação inclusiva
surge o Atendimento Educacional Especializado (AEE) cujo objetivo não é substituir
a escola especial, mas oferecer um serviço complementar à escola comum,
contribuindo às PS conquistar sua autonomia, desenvolver/estabelecer relações
sociais e afetivas, enfim exercer sua cidadania baseando-se numa metodologia
vivencial, onde o aluno é sujeito ativo no processo de ensino-aprendizagem. “Essa metodologia é compreendida como um
caminho percorrido pelo professor, para favorecer as condições essenciais de
aprendizagem do aluno com surdez, numa abordagem bilíngue”. (DAMAZIO, 2010.
p.53).
O AEE para a pessoa com
surdez envolve três momentos didáticos pedagógicos: AEE em Libras, AEE para o
ensino de Língua Portuguesa na modalidade escrita e o AEE para o ensino de
Libras.
O AEE de Libras é realizado
pelo professor e/ou instrutor de Libras, preferencialmente surdo, e organizado
a partir do que o aluno já conhece sobre a língua e vai auxiliar o aluno a
utilizar os termos científicos em Libras. O aluno é constantemente avaliado
para verificar sua aprendizagem no que concerne à construção/compreensão de
conceitos.
O AEE em libras é organizado
pelo professor especializado em parceria com os professores da turma comum e os
de Língua Portuguesa e o seu objetivo principal é favorecer a aprendizagem do
aluno na construção de conceitos do conteúdo curricular proposto na sala de
aula comum, utilizando a Língua de Sinais. O AEE para o ensino de Língua Portuguesa
deve ser preferencialmente ministrado por um professor formado em Língua
Portuguesa. O objetivo desse atendimento é possibilitar a aprendizagem
linguística e textual para que sejam capazes de utilizar esta língua na
modalidade escrita respeitando suas regras e especificidades. É necessário que
se oportunize as PS o contato com vários tipos de textos, através das mais
variadas situações.
A construção de uma escola
comum na perspectiva inclusiva não é uma tarefa fácil, mas possível. No
entanto, requer o rompimento de paradigmas. É necessário compreender o ser humano em sua
totalidade, respeitando suas diferenças e reconhecendo suas potencialidades.
Para tanto, precisa-se de práticas pedagógicas efetivas de aprendizagem que
elimine/minimize as barreiras de aprendizagem e leve o aluno a aprender e
exercer sua plena cidadania.
REFERÊNCIAS:
DAMÁZIO,
M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar
de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção.
Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010.
DAMÁZIO,
Mirlene Ferreira Macedo. Educação
Escolar da Pessoa com Surdez: uma rápida contextualização histórica. 2005.
mimeo.