domingo, 9 de março de 2014

PS_ Educação Escolar


UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO ESCOLAR DAS PESSOAS COM SURDEZ: BREVE HISTÓRICO E REFLEXÕES

 

A história da educação das pessoas com surdez (PS) é marcada por muito sofrimento, dor, rejeição, exclusão, mas também de conquistas.

Antigamente as pessoas com surdez eram vistas como pessoas doentes, incapazes, reduzidas apenas às suas limitações. Damázio (2005) em seus estudos aponta que desde a Idade Média não eram observadas as potencialidades da pessoa com surdez. Ela não era vista como um ser humano integral, dotado de potencialidades.

As formas de comunicação e os métodos de aprendizagem eram bastante polêmicos.  A princípio adotou-se a oralização das PS, ou seja, consideravam a voz como único meio de comunicação. Embora proibidos e influenciados a prática do oralismo, as pessoas com surdez também buscavam outras formas de comunicação através de gestos ou sinais. Na comunicação total admitia-se a utilização de gestos, sinais, mímicas, enfim qualquer meio para se comunicar. O embate entre oralistas e gestualistas perdurou por dois séculos e pouco contribuiu à educação e inclusão das pessoas com surdez. O sucesso ou fracasso escolar não deve ser atribuído apenas à aquisição da língua. É preciso ampliar o nosso olhar, pois

 “enquanto as discussões ficam centradas na aceitação de uma ou de outra língua, as pessoas com surdez não têm o seu potencial individual e coletivo desenvolvido, ficam secundarizadas e descontextualizadas das relações sociais das quais fazem parte, sendo relegadas a uma condição excludente ou a uma minoria”. (DAMÁZIO, 2010. p.47).

 

Atualmente no Brasil trabalha-se por uma escola comum inclusiva, defendendo a abordagem bilíngue, uma vez que admite a existência das duas línguas: a língua de sinais – como primeira língua - e a Língua Portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita como segunda língua. Portanto, como afirma Damázio (2005), não há privilégios desta ou daquela língua, mas respeito e reconhecimento que as PS vivem em ambientes bilingues. Dentro dessa perspectiva, a PS é vista como diferente e não como deficiente.

Na perspectiva da educação inclusiva surge o Atendimento Educacional Especializado (AEE) cujo objetivo não é substituir a escola especial, mas oferecer um serviço complementar à escola comum, contribuindo às PS conquistar sua autonomia, desenvolver/estabelecer relações sociais e afetivas, enfim exercer sua cidadania baseando-se numa metodologia vivencial, onde o aluno é sujeito ativo no processo de ensino-aprendizagem. “Essa metodologia é compreendida como um caminho percorrido pelo professor, para favorecer as condições essenciais de aprendizagem do aluno com surdez, numa abordagem bilíngue”. (DAMAZIO, 2010. p.53).

O AEE para a pessoa com surdez envolve três momentos didáticos pedagógicos: AEE em Libras, AEE para o ensino de Língua Portuguesa na modalidade escrita e o AEE para o ensino de Libras.

O AEE de Libras é realizado pelo professor e/ou instrutor de Libras, preferencialmente surdo, e organizado a partir do que o aluno já conhece sobre a língua e vai auxiliar o aluno a utilizar os termos científicos em Libras. O aluno é constantemente avaliado para verificar sua aprendizagem no que concerne à construção/compreensão de conceitos.

O AEE em libras é organizado pelo professor especializado em parceria com os professores da turma comum e os de Língua Portuguesa e o seu objetivo principal é favorecer a aprendizagem do aluno na construção de conceitos do conteúdo curricular proposto na sala de aula comum, utilizando a Língua de Sinais. O AEE para o ensino de Língua Portuguesa deve ser preferencialmente ministrado por um professor formado em Língua Portuguesa. O objetivo desse atendimento é possibilitar a aprendizagem linguística e textual para que sejam capazes de utilizar esta língua na modalidade escrita respeitando suas regras e especificidades. É necessário que se oportunize as PS o contato com vários tipos de textos, através das mais variadas situações.

A construção de uma escola comum na perspectiva inclusiva não é uma tarefa fácil, mas possível. No entanto, requer o rompimento de paradigmas.  É necessário compreender o ser humano em sua totalidade, respeitando suas diferenças e reconhecendo suas potencialidades. Para tanto, precisa-se de práticas pedagógicas efetivas de aprendizagem que elimine/minimize as barreiras de aprendizagem e leve o aluno a aprender e exercer sua plena cidadania.

 
REFERÊNCIAS:

DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010.

 

DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar da Pessoa com Surdez: uma rápida contextualização histórica. 2005. mimeo.

Um comentário:

  1. Realmente a inclusão do aluno com deficiência não é tarefa fácil... Mas como você bem sintetizou no texto historicamente houve muitos percalços, e hoje pode-se constatar avanços com as quebras de paradigmas excludentes à luz das pesquisas na área.

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