quinta-feira, 17 de abril de 2014

Surdocegueira e DMU



Surdocegueira e Deficiência Múltipla: diferenças e semelhanças

      A surdocegueira, ao contrário do que se pensa, não é uma deficiência múltipla  ou apenas o somatório surdo+cego. Ela é uma deficiência única, que apesar de a pessoa apresentar surdez e cegueira, também  possui outros problemas, como de aprendizagem, de conduta, uma vez que a dupla perda dificultará a identificação e exploração do ambiente como um todo. Conforme Legati (1995, p. 306), citado por Bosco (2010, p. 08),


 "
surdocegueira é uma condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela surdez. O termo hifenizado indica uma condição que somaria as dificuldades da surdez e da cegueira. A palavra sem hífen indicaria uma diferença, uma condição única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não aditivo".


     Logo, é uma  deficiência única, específica e sempre associada a perda da visão e audição, mesmo que em diferentes graus.
    A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida. Assim, teremos o Surdocego Pré-lingüístico - quando já havia desenvolvido algum tipo de linguagem - ou Pós-lingüístico. Este por sua vez, quando a criança já nasce com a surdocegueira ou adquire em tenra idade. A forma de comunicação determinará o caminho a ser percorrido, criando diferentes possibilidades para eliminar ou minimizar as diversas barreiras encontradas em diferentes âmbitos.

     A Deficiência Múltipla (DMU), é

 “a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual / visual / auditiva / física), com comprometimentos que acarretam consequências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa". (IKONOMIDIS, 2010, p. 1).

     De acordo com essa autora, a DMU não é apenas o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, ela envolve também as questões relacionadas à cognição, a comunicação, as condições físicas e médicas, as relações e interação social, enfim ao próprio desenvolvimento do ser humano e que também pode ser congênita ou adquirida.
     Podemos destacar,  ainda, como diferenças entre a DMU e a surdocegueira a forma de exploração do meio e com o meio. A pessoa com surdocegueira certamente terá uma melhor interação com o meio e com as pessoas, desde que sejam oferecidas  experiências  significativas e adequadas.( IKONOMIDIS, 2010).  Lembrando que devemos explorar seus sentidos remanescentes,  quer sejam visuais ou auditivos.
     Mas podemos encontrar também semelhanças no que concerne as estratégias de aprendizagem, aguçando também os demais sentidos que não foram atingidos.  Estas por sua vez, devem ser planejadas e executadas de forma sistemática, seguindo uma rotina e sempre que necessário desenvolver atividades que forneçam antecipação dos acontecimentos, tornando possível a compreensão de tempo, de mundo. O posicionamento e a comunicação necessitam de uma atenção especial. A adequação postural possibilita maior exploração do ambiente, aprendizagem, segurança e conforto.
     Acreditamos que a comunicação seja o ponto de partida e de chegada à evolução do homem. Qualquer ser humano necessita de um meio de comunicação, quer seja gestual, verbal, simbólico ou não para que possa interagir, aprender e ensinar. Em se tratando de inclusão, torna-se imprescindível desenvolver um meio de comunicação para essas pessoas, seja com Surdocegueira ou com Deficiência Múltipla.
     Rowland e schweigert  apontam os símbolos tangíveis como facilitadores para a aprendizagem da comunicação, em que o indivíduo compreenda e seja compreendido. Segundo eleS, "usando símbolos tangíveis aumenta a receptivamente a probabilidade de que a comunicação para o indivíduo com deficiência múltipla ou surdocegueira será entendida. (2013, p.03)
     Cabe ressaltar que os símbolos tangíveis não se restringe apenas a comunicação, eles são flexíveis e devem ser adequados a cada pessoa.
      O uso da tecnologia assistiva também será um grande aliado no processo de inclusão e cidadania. Caberá aos profissionais envolvidos observar e selecionar quais recursos podem ser facilitadores nesse processo, desde o uso de uma cadeira de rodas a um engrossador de lápis.
     As parcerias são de grande relevância no processo de inclusão dessas pessoas. A família, os profissionais da saúde, os professores da sala de aula comum e da sala de recursos multifuncionais, bem como equipe pedagógica devem ter um diálogo constante, para que as ações desenvolvidas para melhoria da qualidade de vida ocorram em casa, na escola, enfim em todos os ambientes por eles frequentados.
     Logo, podemos compreender que as pessoas com surdocegueira ou com DMU possuem suas particularidades e especificidades, mas  é possível sua inclusão na escola, na sociedade. Precisamos estudar cada vez mais, pois acreditamos que através do conhecimento é possível incluir de fato e de direito a todas as pessoas na sociedade.

 

 

 

Referências:

  • BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).

  • IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”,2010 sem publicar.
  • ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia - 2013.
  • SERPA, Ximena Fonegra, Comunicação para Pessoas com Surdocegueira. Tradução do livro Comunicacion para Persona Sordociegas, INSOR-Colômbia 2002.